Crônica
A Gazeta
Publicado em A Gazeta e gazetaonline nesta segunda-feira 1 de novembro.
Oswaldo Oleari
bloguidonoleari.blogspot.com
donoleari@gmail. com
De Santiago a Mendoza, o deserto
Em "imeil" da Luciana Giovani sobre a cronicascatinha anterior, deduzo que ela leu torto por linhas certas. Não afirmei que no Chile não existem "pobres". O que disse - ou pensei dizer - é que não vimos favelas modelo as dos cinturões que cercam nossas grandes cidades, "meidi in Brazilll... zilll..!" Como também não foi o guia que nos induziu a "não ver" favelas (que, se dependesse de nosotros, gostaria que não existissem aqui, na América Latrina ou na periferia do planetinha).
Dissera a um dos guias que nós, os "periodistas", botando os zoio em tudo, em dobro: os do turista e os do repórter puta velha de estrada, que fuça tudo, pergunta tudo e enche o saco de tanto perguntar. Além disso, paranoia à parte, não conseguimos ficar sem ler jornais, os da situação e os da oposição - sim, gentem, lá tem oposição!
Ao seguirmos para Mendoza, rumando para o interior e para a divisa com a Argentina, fomos divisando moradias certamente de pessoas pobres, mas nem por isso favelas. Como ficamos de olho também no tanto de bandeiras hasteadas em prédios, casões, casinhas, na periferia da cidade e caminhando para a roça, quinem brasilerim da silva na Copa do Mundo!
Tivemos alternativas variadas para ir de Santiago para Mendoza. A aérea, que dispensamos. Um serviço privado, carrão com motorista, que custaria cerca de "mil dólar", quinemqui diz veriadozim de Viana. Locar veículo, que dispensei porque, carácoles, quando pensei em subir pros picos e atravessar as tantas curvas chamadas Los Caracoles, encagacei por antecipação. "Algo contra ir de ônibus?" perguntou a muié da operadora. "Nada contra nada, tamu na estrada, tamu na vida, topamu tudo", dissemos.
Foi "a" escolha. Fomos embabacando geral desde Los Caracoles - em cujo trajeto se fica assim, ó, não passa nem pensamento - até a fronteira. Cenário mudando, virando paisagem lunar, desertaço durabu, não se vê moitinha assim de capim. Indescritível. Montanhas rochosas, cascalho, é do carvalho, de deixar qualquer um com cara de bundão, babando um babador inteirim.
Algum tipo de vegetação vai se vendo pras bandas de Mendoza, cerca de 150 mil habitantes - a cidade, não a província -, receptiva, avenidas e calçadas generosas, praças e grandes parques, povaréu circulando dia e noite - os canais laterais criados por indígenas, irrigando a generosa arborização das ruas. Calçadas para "bípede" caminhar - usei a expressão com um amigo. Lá, caminhando pela cidade usei "pra quadrúpede" andar, referindo-me a algumas da minha querida cidade, onde por algumas calçadas só se consegue andar revivendo nossos dias de monki primitivo da odisseia istanleikubrikiana.
Vinhos nacionais dusbão! Mió ainda, sem os quase quarentinha de imposto ladrão, tipo de 20 dólares que, aqui, nos Emirados Unidos do ES, levam mais de 60 a 70 dos meus mirrados dólares. Terminou o espaço. Voltar? "En la cosecha", recomendou o amigo mendocino Leonardo Perez.
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