Postado por Tarcísio Bahia
Não sou daqueles nostálgicos, que acham que tudo do passado era melhor que as coisas do presente. Tampouco fico excitado com toda novidade tecnológica, que nos motiva substituir algo em funcionamento pleno por um modelo novo, só porque o último lançamento tem um montão de comandos e botões, cujos recursos jamais iremos utilizar.
Com relação à música, por exemplo, lembro que comecei a comprar cd’s logo depois que eles surgiram. Foi numa viagem que comprei meu primeiro aparelho e cd’s, um do The Police e outro do Miles Davis. Daí em diante virei um tarado por este tipo de mídia. Hoje já não compro tanto, mas se vejo algo que gosto, nem penso duas vezes. Ah, tudo que tenho é original, nada pirata! Gosto de ter as caixinhas todas arrumadas, ver os encartes, etc.
Situação bem parecida com a dos vinis, que ainda guardo. E aí bateu o lado nostálgico, e sempre que viajava para o interior procurava uma vitrola usada pra comprar. Eu queria um daqueles modelos tipo maleta, com o alto falante na tampa do aparelho. E não é que consegui! Só não tá funcionando ainda, mas achar quem a conserte já é parte da aventura.
Esta dualidade tecnológica é algo que também rola com relação à fotografia. Sinto saudade da minha câmera reflex mas admito que é muito prático usar as digitais, pequeninas, nas quais cabem centenas de fotos e de onde posso jogar tudo pro computador, inserir numa apresentação, enviar por email, etc. Por outro lado, acho que depois das digitais terem sido popularizadas a fotografia banalizou muito.
Qualquer evento na creche do meu filho, quando os pais se reúnem é uma confusão! Ninguém quer prestar atenção ao momento, que é pra ser registrado na mente instantaneamente; preferem ficar pulando uns na frente dos outros, atrapalhando todo mundo, tirando fotos de qualidade extremamente discutível, ao preço de perder aquele que deveria ser o fato sublime: assistir ao espetáculo das crianças.
Tipo assim: um show ao vivo é um show ao vivo, ora bolas! Uma experiência única, que no ato em que acontece transcende nosso ser para outro estado de espírito. É algo para ser guardado na memória. E hoje, dependendo do tipo de show, a galera fica com os braços pro alto, tirando fotos no celular, atrapalhando quem está atrás querendo ver o espetáculo que rola no palco. E pra quê? Pra ter uma foto? Por melhor que seja o recurso fotográfico do celular, dali, do meio da platéia, com tudo escuro, apenas algumas luzes apagando/acendendo sobre os artistas, dá pra tirar alguma foto que preste? Não creio.
Enfim, dependemos da tecnologia, mas ainda sei escrever e desenhar com a mão.
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